Terceirização: o síndico agora é profissional.
A terceirização é uma tendência forte nos condomínios residenciais, pois quase sempre resulta em economia e eficiência, quando bem empregada. Primeiramente, a terceirização ocorreu na administração, com a contratação de administradoras de condomínios, depois envolveu os funcionários de limpeza, a segurança e chegou até a portaria. Hoje, até o síndico pode ser terceirizado. “O síndico profissional é uma boa alternativa em condomínios pequenos, com muitos moradores idosos, ou grandes condomínios, com uma administração mais complexa”, opina Hubert Gebara, vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP – Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.
O síndico profissional é um prestador de serviços, que deve ter experiência e conhecimentos para ocupar a função. Ele não é um morador e normalmente visita o condomínio duas ou três vezes por semana. “Na maioria dos casos, o síndico convencional, que é um morador, é mais indicado, pois ele conhece o dia-a-dia do prédio e também fiscaliza de perto os funcionários”, observa Gebara, acrescentando que, como as pessoas normalmente não têm tempo para desempenhar essa função, e o condomínio precisa ter um síndico, tem aumentado a solicitação por indicações desse tipo de profissional nas administradoras de condomínios. Ele alerta que a administradora pode indicar nomes, que deverão ser analisados pela assembleia, mas este profissional nunca deverá ser um funcionário dessa empresa ou ter vínculos com ela. O síndico deve ser um fiscalizador da administradora, e vice-versa, e por isso ambos devem ser independentes. “Como qualquer outro funcionários, é preciso cuidados na escolha – levantar informações sobre os candidatos, analisar os currículos, as referências, seus conhecimentos etc.”, aconselha Gebara.
Para Maurício Jovino, síndico profissional há nove anos, o condomínio deve solicitar uma proposta detalhada, por escrito, sobre a prestação do serviço, verificar referências, visitar os condomínios em que o candidato trabalha ou trabalhou, agendar uma reunião para conhecer melhor seu perfil, verificar se têm experiência comprovada (teórica e prática), inclusive levantar seus antecedentes, pois ele será o responsável pelo condomínio. “Basta qualquer um participar de assembleias para constatar o despreparo da maioria dos síndicos. Em geral, quem se candidata para a função busca, principalmente, a isenção da taxa de condomínio”, diz Jovino. “Alguém preparado e com experiência sabe argumentar e conduzir situações de conflitos, evitando bate-bocas e brigas desnecessárias”, observa.
Síndico convencional de seu prédio desde 2000, Jovino conta que fez cursos para aprimorar os conhecimentos e viu nisso uma oportunidade de trabalho. Segundo ele, este profissional cobra entre R$ 900 e R$ 4 mil por mês, dependendo do porte do condomínio. “Muitos confundem síndico profissional com autogestão. Neste último, não se contrata uma administradora e tudo é feito internamente. Para o síndico profissional, a administradora é um parceiro fundamental”, observa.
Segundo Jovino, o fato de o profissional não ser um morador é uma vantagem, e não uma desvantagem. “Como não tem vínculo com moradores, ele não é visto como vizinho e sim como um profissional, podendo tomar atitudes com mais isenção e sem constrangimentos, como aplicar multas, por exemplo. Também é comum nos condomínios administrados por síndicos profissionais não terem as chamadas ‘panelas’, com disputas de poder dentro do prédio”, afirma. “Para o síndico profissional, o condomínio é um cliente e ele deve prestar o melhor serviço possível, pois é remunerado para isso e será cobrado. Um bom trabalho também serve para futuras referências”, comenta.
Para ele, o fato de visitar o condomínio duas ou três vezes por semana não é visto como empecilho. “Além de ser suficiente em prédios que estão mais bem organizados, esse tempo muitas vezes é superior ao que o síndico convencional dedica à função, pois ele trabalha e tem família”, diz. Segundo ele, com os funcionários bem treinados e com um check list das atividades que cada um deve desempenhar, não é preciso fiscalizar o tempo todo. Nas visitas semanais, é possível perceber se alguém não está cumprindo com suas tarefas”, afirma. “Além disso, é preciso, com frequência, contatar a portaria para saber se tudo está bem. As licitações, cotações de preços de serviços e outros assuntos com a administradora, o subsíndico e membros do conselho fiscal podem ser feitos via e-mail”, diz Jovino.
E se por um lado o condomínio deve saber escolher um bom profissional, por outro, o síndico profissional também deve escolher um bom cliente. “Recentemente, recusei uma proposta de trabalho. O condomínio era muito desorganizado, as contas estavam no vermelho, o prédio precisava de obras fundamentais, mas os moradores só pensavam em gastos supérfluos. O síndico deve seguir as determinações da assembleia, fazer um planejamento e ter um cronograma. Pelo o que senti na reunião com os moradores, seria impossível desenvolver um bom trabalho, o que seria ruim para eles e para mim, já que eu seria visto como um mau profissional. Por isso recusei”, observa.
Além de síndico profissional, Jovino atua como consultor de condomínios e ministra palestras sobre o tema na Assosíndico – Associação dos Síndicos de Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo. Ele ainda mantém o site Condomínio em Foco (www.condominioemfoco.com.br).
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