Apartamentos do 1º andar foram tomados pela enchente na Zona Leste.
Prefeitura precisa declarar calamidade para isenção do pagamento.
Moradores do Jardim Romano, na Zona Leste de São Paulo, vivem há 50 dias no meio da enchente e são obrigados a conviver com sujeira, lixo, lama e ratos. Um condomínio do bairro foi cercado pela água – as duas entradas estão praticamente intransitáveis, e apenas de bote é possível chegar ao local. Entretanto, os moradores continuam pagando as prestações dos apartamentos.
Dentro e fora dos apartamentos, a lama está por todos os lados. As crianças ficam na janela sem ter o que fazer – o campo de futebol se transformou em uma piscina suja. “Estou com a perna machucada de tanto andar de bota”, disse a analista de cobrança Maria Ludineide Zacarelli.
O direito de ir e vir, básico a qualquer cidadão, simplesmente não existe no condomínio. Neste sábado, o carro anfíbio dos bombeiros estava quebrado, e nenhum bote chegou ao local. Com isso, os moradores não conseguiam entrar nem sair, perdendo sua autonomia.
Quem vive no térreo teve que se adaptar para não ter mais prejuízos. Em um dos apartamentos, a geladeira foi colocada na mesa da sala. Nem o bloco de cimento colocado na entrada conseguiu conter a água.
O conjunto habitacional Terra Paulistas tem 31 prédios. São 620 apartamentos no total. A Caixa Econômica Federal, responsável pelo empreendimento, está transferindo os moradores do térreo para outros imóveis na Zona Leste e em cidades vizinhas. O problema é que nem todos querem ir embora.
A ajudante geral Iolanda dos Reis mora no segundo andar, e gasta mais de R$ 400 por mês com prestação e condomínio. Ela está ilhada, e reclama que, por enquanto, a Caixa não lhe ofereceu a opção de mudar de casa. “A gente está pisando na lama. É muito dinheiro jogado fora. De dezembro para cá, foi muito sofrimento”, afirmou.
Anteriormente, o prefeito Gilberto Kassab disse que iria pedir à Caixa para que os moradores parassem de pagar as prestações. Entretanto, segundo a Caixa, a prefeitura precisa primeiro decretar estado de calamidade publica ou emergência para conceder a isenção.
Procurada, a prefeitura de São Paulo informou que está tomando “as medidas necessárias para a decretar estado de calamidade pública na área do Jardim Romano, devido às enchentes provocadas pelas intensas chuvas dos últimos dias”. A prefeitura também disse que vai estudar possíveis reivindicações de bolsa aluguel pelos moradores afetados.
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