A Justiça de São Paulo decidiu seguir os passos do empresário Ricardo Mansur – ex-dono das falidas Mappin e Mesbla e do banco Crefisul – para investigar a existência de dinheiro escondido em algum paraíso fiscal. Na última sexta-feira, o juiz Luiz Beethoven Ferreira, responsável pelo processo de falência do Mappin, nomeou um síndico exclusivo para trabalhar na “obtenção de ativos eventualmente desviados, ou malversados”.
As empresas de Mansur faliram há dez anos, quando ele acumulava dívidas entre 2 e 3 bilhões de reais, que ainda continuam em aberto na Justiça. Mas nada que atrapalhe a vida de luxo que leva atualmente em Ribeirão Preto (SP). O antigo “rei do varejo brasileiro” é, hoje, dono duas usinas de açúcar e álcool no interior de São Paulo e de uma faculdade no Espírito Santo.
“Como ele pode ter feito tudo isso, se o que ele tinha a gente tomou para pagar parte das dívidas trabalhistas? Isso não pode passar despercebido pelo poder público. É acintoso”, enfatiza o juiz Beethoven Ferreira.
Síndicos – Alexandre Carmona, síndico responsável pela massa falida do Mappin há cerca de dez anos, segue na função. Junto a ele, o advogado Afonso Henrique Alves Braga terá a função de rastrear eventuais contas ou propriedades que Mansur possa ter ocultado da Justiça. “É uma medida salutar ter mais uma pessoa para procurar esse suposto dinheiro”, explica o promotor de falências Marco Antonio Marcondes Pereira.
A suspeita de que o empresário tenha dinheiro escondido fora do país é antiga entre os credores, e passou a ser compartilhada pela Justiça em razão dos sinais exteriores de riqueza que o empresário apresenta desde que se mudou para Ribeirão Preto, no ano passado. Mesmo formalmente falido e cheio de dívidas, ele vive com a mulher numa casa alugada no condomínio mais caro da cidade (cerca de 25 mil reais por mês) e tornou-se sócios dos dois clubes mais exclusivos de Ribeirão Preto.
Mansur continua fazendo negócios. Mas, como a lei o proíbe de atuar até que suas dívidas estejam quitadas, suspeita-se que ele tenha empresas em nome de laranjas. Isso é que teria viabilizado, por exemplo, a aquisição da Usina Galo Bravo, de Ribeirão Preto, da Destilaria Pignata, de Sertãozinho, e da Faculdade Batista de Vitória (Fabavi)
(Com Agência Estado)
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