Até o fim da tarde desta quarta, alguns bairros da Zona Sul e as cidades de Embu e Taboão da Serra ainda tinham locais sem água.
Três dias depois do rompimento de uma adutora que deixou centenas de milhares de pessoas sem água em São Paulo, o abastecimento ainda não foi normalizado. Em algumas regiões, a solução depende da solidariedade de vizinhos.
A pia cheia é lembrança de quando ainda havia água. Desde domingo, Dona Marisa não tem como lavar a louça e nem fazer comida. “Eu almoço no serviço e como um pãozinho à noite. “Eu estou mandando procurarem água com os vizinhos debaixo para eu poder cozinhar”, disse a auxiliar de limpeza Marisa de Santana.
Num mesmo bairro, duas realidades diferentes. Para quem mora embaixo, o abastecimento foi normalizado, mas a água ainda não subiu o morro e quem vive em cima continua com as torneiras secas.
Os moradores sobem as ruas da favela Real Parque, na Zona Sul, com baldes cheios. Pegam água na casa de vizinhos da parte baixa. “A água é um bem comum para todos e todos nós somos irmãos. Vamos ajudar, só assim vai melhorar”, acredita o administrador de empresas Wilson César Brás.
O problema começou domingo, com o rompimento de uma adutora da Sabesp, a companhia de abastecimento de São Paulo. Setecentas e cinquenta mil pessoas ficaram sem água. Durante esse período, moradores disputaram um lugar em poços e bicas. Filas de dia e de noite.
“Tenho quatro filhos em casa, criança pequena e a gente não tem água. Temos que ficar mendigando um balde de água”, afirmou a empregada doméstica Maria Aparecida Moreira.
Condomínios precisaram de caminhões-pipa. “Dez mil litros, no valor de R$ 700, dividido entre os moradores”, contou Israel de Oliveira, morador do condomínio.
Segundo a Sabesp, o abastecimento foi normalizado nesta quarta na maior parte das regiões afetadas. Mas até o fim da tarde alguns bairros da Zona Sul e as cidades de Embu e Taboão da Serra ainda tinham locais sem água.
“Essa água é para dar banho em três crianças. Tem que dar. É o jeito, fazer o quê?”, resignou-se a empregada doméstica Jane Silva.
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