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Atraso na Operação Urbana

á seis anos, a Operação Urbana Butantã-Vila Sônia foi anunciada pela administração municipal e, desde então, aumentou o número de empreendimentos residenciais na região. A valorização do metro quadrado atingiu 45% e houve um processo de verticalização que pode levar para a região mais 37 mil moradores nos próximos anos. Somente no ano passado, 2,5 mil apartamentos foram construídos ali. Grandes condomínios atraem compradores porque estão próximos do Morumbi, da Linha 4-Amarela do Metrô, de shoppings e das Rodovias Raposo Tavares e Régis Bittencourt. Aqueles bairros sofrem mudanças significativas praticamente a cada dia. Só o esperado planejamento urbano, que deveria ser feito pela Prefeitura, anda a passos de tartaruga.

A Operação Urbana Butantã-Vila Sônia foi planejada em 2004, compreendendo mais de 600 hectares e tendo como eixo a nova linha do metrô. Estende-se ao longo das Avenidas Francisco Morato e Eliseu de Almeida e incorpora a área de intervenção urbana prevista no entorno da Avenida Corifeu de Azevedo Marques.

A operação pretende elevar o coeficiente de aproveitamento dos terrenos, acrescentando 1,356 milhão de metros quadrados ao potencial de construção, o que adensará consideravelmente a área. O projeto original estabelece núcleos mais adensados ao longo das grandes avenidas e do metrô, com uso múltiplo dos imóveis. Para atender ao aumento do tráfego de veículos o projeto prevê a ligação direta da Avenida Ministro Laudo Ferreira Camargo à Rodovia Raposo Tavares e à Estação Vila Sônia do metrô. Tratamento paisagístico incorporaria as áreas de parque e manteria aberto o canal do Córrego Pirajuçara, após a construção de piscinões. Um parque linear e a recuperação dos Parques da Previdência e Luís Carlos Prestes compunham o plano ambiental. Por fim, a Avenida Jorge João Saad seria prolongada até a Corifeu de Azevedo Marques, passando em túnel sob o Parque da Previdência.

Na época em que foi apresentado, o projeto foi considerado completo. Agora, no entanto, moradores e urbanistas discutem com a Prefeitura versões subsequentes do plano, que teriam empobrecido a proposta original, como o comprometimento da Praça Elis Regina, onde um túnel desembocaria, destruindo o ponto de encontro daquela comunidade.

Em entrevista ao Estado, o professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Fabio Mariz Gonçalves afirma que, de tudo o que foi proposto, sobraram apenas o túnel e parte dos planos para a malha viária. “Isso mostra uma falta de preocupação da Prefeitura com a qualidade urbana do bairro”, conclui.

Até os empreendedores estão descontentes com a indefinição da Prefeitura a respeito da organização urbana da região. “Parece sempre que a nossa cidade está com o freio de mão puxado quando lida com assuntos urbanísticos, principalmente no que diz respeito à ocupação do solo”, observou João Crestana, presidente do Secovi, que representa as empresas do setor imobiliário.

O mercado imobiliário tem grande interesse na região, mas, sem regras claras e sem a definição de um projeto urbanístico, não pode explorar todo o potencial dos bairros.

Para poder construir quatro vezes além do permitido, empreendedores precisam adquirir os Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos que rendem recursos antecipados ao governo e podem ser trocados por benefícios legais. Esses recursos são depois investidos em melhorias na própria região. A Prefeitura espera arrecadar R$ 300 milhões na Operação Urbana Butantã-Vila Sônia, que pretende lançar neste semestre.

Poderia assegurar ganhos muito maiores se não chegasse tão atrasada à região. Pelo menos 15 grandes empreendimentos já tiveram seus projetos aprovados e começarão a ser construídos nos próximos meses, sem que a Prefeitura arrecade um centavo a mais com eles. Perdem os empreendedores, que poderiam construir condomínios ainda maiores, o governo e, principalmente, a população local. Com menos recursos, menos se investirá na melhoria da região.

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