A indústria da construção civil registra, há décadas, avanços tecnológicos que reduzem o desperdício dos canteiros de obra, estimados em 40%, como decorrência do manejo irracional de insumos básicos. Essas inovações, embora tímidas para a dimensão dos empreendimentos, não têm sido aproveitadas convenientemente. Perduram, ainda, as práticas resultantes dos métodos conservadores de produção.
A cada grande feira de materiais, equipamentos e tecnologia básicos da construção civil são expostas inovações relativas a métodos construtivos, viabilizados especialmente para a moradia popular, como saída para a redução do imóvel destinado aos trabalhadores de baixa renda. Um desses métodos implica na montagem, no canteiro de obra, quando das fundações, da canalização elétrica e hidráulica, evitando-se, posteriormente, a quebra de paredes para efetivar essa providência.
Outro descompasso entre a prática habitual e as conquistas tecnológicas vinha sendo o fornecimento de água tratada para os condomínios. Ao contrário das ligações de energia elétrica, individualizadas, a água fornecida pela concessionária dos serviços essenciais de água e esgoto é cobrada pelo consumo global, à semelhança da sistemática aplicada às áreas de uso comum das habitações coletivas.
Essa prática dá margem ao acúmulo de débitos pela prestação desses serviços e à falta de controle do consumo individualizado da água, causando prejuízos para os moradores, ao condomínio e à própria companhia abastecedora. Quando o morador não quita o débito do consumo de energia, a concessionária desse serviço tem como agir. Com a água, tornava-se impossível porque o consumo era cobrado coletivamente.
Agora, surge a alternativa de medição por unidade de consumo de água nos conglomerados habitacionais, eliminando esses embaraços. A Agência Nacional de Águas (ANA) fixou critérios para a administração individualizada dessas contas, já posta em prática, com sucesso, por algumas empresas de saneamento básico, em caráter pioneiro.
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) está oferecendo, a partir deste mês, a cada condomínio, a possibilidade de emissão da conta de água e esgoto, separada do rateiro mensal da despesa do condomínio. Essa providência traz benefícios para as três partes envolvidas no processo, por propiciar economia e aliviar os moradores adimplentes do débito de condôminos faltosos.
A Cagece possui 4.200 condomínios cadastrados. Esse tipo de serviço é feito de forma descentralizada, por empresa de construção civil contratada pelo condomínio, depois da aprovação, em assembleia, pela maioria dos moradores. A individualização exige a observância de normas técnicas, a começar pela instalação de um hidrômetro na rede de alimentação de cada unidade autônoma.
Distribuindo a cada morador a conta de seu consumo interno, a medida vai eliminar os focos de conflito entre os síndicos e os que não pagam seus encargos. Para os novos empreendimentos imobiliários, a providência fará parte de seu projeto arquitetônico. A inovação é bem-vinda.
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