Com plano lançado ontem, governo quer mais do que triplicar acessos à rede de alta velocidade até 2014, atingindo 40 milhões de lares. Nesta etapa, o foco é a baixa renda.
Acesso à internet rápida. O brasileiro que não tem, ganhou esperança de um dia ter. E para aqueles que já têm, nada muda. Com investimento previsto de R$ 13 bilhões, o governo federal anunciou ontem o Plano Nacional de Banda Larga. A meta é levar acesso à internet em alta velocidade para 40 milhões de domicílios até 2014.
Hoje, são 12 milhões de acessos no país. Com o desafio de mais do que triplicar esse número, a estratégia adotada pelo governo é reativar a Telebras, que coordenará o uso das redes de fibra ótica pertencentes à União para levar conexão a cidades do interior e para clientes das classes C e D a preços populares.
Para o plano de R$ 35, está sendo prevista uma velocidade de conexão de 512 kbps a 784 kbps. Para o plano mais popular, de R$ 15, a velocidade máxima será de 512 kbps, mas com limitação para baixar arquivos.
O presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude, questiona a meta do governo federal, porque o crescimento da velocidade é muito rápido. Ele lembra que em países desenvolvidos, se discute a implantação de redes com até 100 Mbps (100 mil kbps) para que não tenham de ser substituídas em poucos anos.
– Isso pode ser um passo inicial, mas ainda precisamos de outro plano para acompanhar os outros países. Não adianta uma meta para 500 kbps e daqui a dois anos ter de montar outra rede. O problema é como fazer infraestrutura no Brasil que atenda a demanda em longo prazo – observa.
Tude elogia as medidas de desoneração fiscal dos equipamentos e a intenção do governo em investir, mas questiona a reativação da Telebras para isso, por tratar-se de uma estatal com um passivo e ações na bolsa. Ele acrescenta que os atuais usuários de banda larga não serão beneficiados pelo plano, que objetiva estender o acesso a quem não tem.
Para haver uma redução generalizada de custos, o país teria de investir em infraestrutura de fibra ótica, com custo mais baixo por bit, e oferecer velocidades mais altas do que as que hoje existem e isso não está contemplado no plano.
Indústria catarinense pode tirar vantagem com a novidade
A indústria catarinense pode sair no lucro na opinião de Noberto Dias, diretor de telecomunicações da Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).
O fato de o plano nacional exigir que 50% dos equipamentos sejam produzidos no Brasil favorece os polos tecnológicos em Santa Catarina.
Dias lembra que o Estado tem um caso pioneiro de condomínio popular, o Terra Nova, lançado recentemente em Palhoça, que oferece banda larga com velocidade entre 12 e 15 Mbps.
– Chama-se banda ultra larga e a tecnologia é 100% catarinense. Santa Catarina saiu na frente no modelo de banda larga nacional – destaca.
No primeiro ano, o plano nacional de banda larga vai abranger a integração das redes federais no Sudeste e Nordeste, em 100 municípios. A Região Sul, onde a carência de banda larga é menor, receberá os primeiros investimentos na rede em 2011, explica o coordenador de inclusão digital do governo, Cezar Alvarez.
– O primeiro ano é apenas um primeiro impulso, de experimentação de modo geral. Esse plano terá investimentos continuados pelos próximos anos – destaca.
O plano ainda precisa ser oficializado por um decreto presidencial. Será criado um fórum, com a primeira reunião ainda esta semana, para definir a forma de implantação do plano e a participação das grandes empresas de telefonia e de pequenos provedores no programa.
ALÍCIA ALÃO
alicia.alao@diario.com.br