Com 408 mil moradias já contratadas, Minha Casa, Minha Vida deve impulsionar o setor.
As moradias populares construídas nos últimos anos em São Paulo têm infraestrutura e equipamentos semelhantes aos encontrados em condomínios de classe média. Entre as novidades, estão os playgrounds, praças, sistemas de aquecimento solar e equipamentos que facilitam a acessibilidade de portadores de necessidades especiais. Mais confortáveis, as novas casas populares têm uma “cara” completamente diferente de 20 anos atrás – quando se construíam diversos blocos de prédios idênticos e apertados.
A CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) de São Paulo padronizou as moradias. De acordo com Fernando Llata, superintendente de projetos da instituição, “todas as unidades habitacionais têm azulejo até o teto, piso cerâmico em toda a unidade, aquecimento solar nas moradias horizontais e laje, que garante o conforto término do proprietário”.
– No interior, é comum a gente construir quadras poliesportivas, playground, áreas verdes. Só não conseguimos colocar piscinas ainda. No entanto, em São Paulo, onde as áreas são menores porque os terrenos custam mais caro, é mais difícil de construir este tipo de área institucional.
O setor da construção civil deve aumentar consideravelmente neste ano com as contratações do programa Minha Casa, Minha Vida – programa habitacional do governo federal. Em 2009, o programa fechou o financiamento de 408 mil unidades habitacionais – 41% da meta de 1 milhão de unidades estipulada para o ano.
O volume de investimentos do programa chegou a R$ 22,8 bilhões, sendo que 78% das obras contratadas já foram iniciadas. Embora longe do objetivo inicial, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, comemorou o resultado.
– Parece pouco, parece longe da meta, mas foi muito, porque há um longo caminho que começa desde a negociação com prefeituras, terrenos, análise de documentos, e contratações. E o programa foi lançado sem prazo.
Custo
O Minha Casa, Minha Vida e a CDHU esbarram nos altos custos dos terrenos para fazer a construção de casas populares deslachar, sobretudo nas grandes cidades. De acordo com Sílvio Vasconcellos, superintendente de orçamento da CDHU, o metro quadrado construído custa cerca de R$ 1.200 na região metropolitana de São Paulo – sem levar em conta o preço do terreno, que ficam mais caros à medida que se aproximam do centro da cidade.
Se uma casa tem 45 metros quadrados, só o custo da construção chega a R$ 54 mil na capital paulista. Vale lembrar que esse é o preço da construção, ou seja, o valor final para o consumidor é maior porque não estão computados os juros embutidos nas parcelas mensais.
De acordo com a CDHU, o valor mínimo da parcela da moradia popular é de R$ 76,50 – para brasileiros que ganham apenas um salário mínimo – e o prazo para pagar é de até 25 anos. Caso o proprietário não consiga liquidar a dívida neste tempo, o valor restante é perdoado pela instituição.
O valor máximo para a construção das casas do Minha Casa, Minha Vida é de R$ 52 mil nas regiões metropolitanas e de R$ 40 mil nos demais municípios. Na última edição do Fórum Nacional de Habitação realizado na terça-feira (13), os secretários estaduais da área elaboraram uma carta para pedir aumentos nos valores do programa.
A ideia é ampliar em 35% o investimento nas grandes cidades – o que elevaria o valor para R$ 70 mil – e em 25% nas outras cidades – que elevaria o valor para R$ 53 mil. Os secretários também pedem valor mínimo de R$ 20 mil para municípios com até 50 mil habitantes.