Condomínio

2020 – O ano em que o Síndico foi posto à Prova

por Leandro Leal

Que 2020 não foi um ano fácil para ninguém é mais do que óbvio. Porém uma reflexão sobre o papel do síndico neste ano é, além de um reconhecimento ao trabalho, uma homenagem a esses bravos personagens.

No começo a pandemia, segundo as primeiras impressões, era algo lá da China, que assolaria a cidade de Wuhan, mas que não atingiria a proporção mundial que vimos alguns meses depois.

Nesse momento, alguns condomínios que pela sua localização tem uma quantidade grande de orientais habitando, começaram a questionar a possibilidade de medidas proibitivas em relação aos chineses, algo que se revelava xenófobo e totalmente incabível.

Nos meses seguintes o que vimos foi uma busca desesperada por proteção a todos, sanidade mental, e orientações de como agir frente a uma situação totalmente nova e inesperada. Ninguém estava preparado para isso. Infelizmente, nem o síndico.

As dúvidas sobre a COVID19, sua forma de transmissão e contágio, a gravidade da doença e as providências a serem tomadas assolaram toda a comunidade condominial e a necessidade de providências era algo urgente. Não se podia esperar, tudo era emergencial, para ontem.

Discutia-se a legalidade e a necessidade de fechamento das áreas comuns, a proibição das obras no condomínios e tantas outras novidades para todos. Com o fechamento das áreas comuns, moradores questionavam a obrigação de pagar condomínio uma vez que “não podiam” usar.

Ao menos queriam desconto como se as despesas de manutenção fossem suspensas, como se o condomínio não tivesse que fazer grandes investimentos imprevistos em totens de álcool gel, capas para os botões dos elevadores, acréscimo de pessoal e material de limpeza.

Aí entrou em campo um outro fator, muito conhecido no Brasil. A polarização política ! O negacionismo deu as caras. Muitos condôminos diziam que era apenas uma gripezinha, que tudo era exagerado e que não iriam alterar a sua rotina. Recusavam o uso de máscara nas áreas comuns. Insistiam em receber elevado número de pessoas em suas unidades, aglomerações e festas incabíveis.

E nesse cenário, todos cobraram providências do síndico. Uns queriam que proibisse a entrada de pessoas no condomínio, outros queriam que o condomínio continuasse “funcionando” normalmente. E tinham aqueles que queriam a proibição das visitas nas unidades, mas a liberação da entradade sua secretária do lar. Cada um fechado em seus interesses sem pensar no próximo.

Qualquer providência que o síndico tomasse era bombardeado, ou pelos que o achavam muito duro, exagerado ou por aqueles que consideravam a medida flexível demais. E nesse contexto, forma surgindo os casos de COVID nos condomínios. Queriam que o síndico expusesse quem estava doente, que determinasse que a pessoa ficasse em sua unidade, presa, como se o síndico tivesse poder para isso. Alguns externavam que era culpa do síndico a COVID ter chegado ao condomínio.

Como quase sempre, cegas em seu egoísmo, as pessoas esqueceram que o síndico é um ser humano, com seus erros e imperfeições. Tudo era novo e pouco se sabia como agir. Vi muito síndico tomando atitudes e sendo ameaçado de processo, inclusive alguns sendo mesmo processados e tendo que se preocupar com coisas desnecessárias em meio a mais grave pandemia mundial que a nossa geração já viveu.

Em meio a tudo isso o síndico teve que conviver com o medo e o cuidado de sua própria saúde, com a preocupação de ter um familiar infectado. São pais e mães de família, filhos, esposas e maridos, com parentes idosos e de grupo de risco. Era preciso cuidado com todos.

Quantos síndicos não foram internados, acometidos pelo COVID? Quantos não foram parar na UTI?
Eu particularmente conheço quatro que tiveram a COVID, sendo que dois deles foram internados, e pasmem, continuaram de dentro dos hospitais, juntando o pouco de ar que lhe sobrava para mandar áudios para o zelador, conselheiros e prestadores de serviços para que mesmo na sua ausência o condomínio não enfrentasse maiores problemas. Foram seres humanos brilhantes, corajosos e muitas vezes colocando o condomínio à frente da sua própria sobrevivência.

Nesse momento em que, de nossas varandas, aplaudimos os médicos e enfermeiros, professores que se reinventaram na educação e tantos outros profissionais que merecidamente foram homenageados, resta a necessidade do aplauso efusivo aos síndicos e síndicas que sobreviveram com brilhantismo e coragem ao ano de 2020, o ano em que o síndico foi colocado à prova, mostrando que o cargo não é para amadores e que continuarão fazendo um trabalho sensacional e muitas vezes, não reconhecido, em 2021.

Desejo a todos saúde, sapiência, empatia e um Feliz 2021.

 

Leandro Leal
Advogado formado pela PUC/SP, no ano de 2001. Especialista em direito imobiliário e condominial pela FMU/SP. Advoga para condomínios e associações há mais de dez anos. Membro e professor de Direito Civil do curso de formação de síndicos profissionais e Diretor de Ensino da Associação dos Síndicos e Condomínios Comerciais e Residenciais do Estado de São Paulo – ASSOSINDICOS. Professor convidado da USJT, BrBrasis e Centro de Capacitação do Síndico e membro da AASP. Palestrante e conferencista de várias empresas do ramo imobiliário. Colunista de alguns sites especializados na área condominial.

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