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Uma visita ao coração da Amazônia

Missão liderada pelo Secovi-SP e integrada pelo CBCS e AsBEA buscou entender como o manejo certificado pode salvar a floresta.

O setor da construção civil é o maior consumidor de madeira do País. Como um dos mais importantes representantes do setor, o Secovi-SP (Sindicato da Habitação) entende a importância de saber como consumir madeira de uma forma responsável.

Para compreender melhor a atividade, no mês de julho, o Sindicato organizou uma missão à Amazônia para uma visita às operações florestais da Precious Woods(PW) no município de Itacoatiara (AM). A organização é certificada desde 1997 pelo FSC® (Forest Stewardship Council®, em português, Conselho de Manejo Florestal), selo de certificação florestal mais reconhecido no mundo por seus rigorosos padrões de manejo florestal e rastreabilidade da cadeia de custódia. Hamilton Leite, vice-presidente de Sustentabilidade do Secovi-SP, liderou o grupo de sete participantes.

“A missão foi muito especial. O grupo teve a oportunidade de conhecer in loco todo o processo de planejamento, extração, transporte e beneficiamento sustentável da madeira, realizado pela PW. Além disso, soubemos que podem ocorrer falhas e fraudes ao longo do processo ‘legal’ – quando há emissão do Documento de Origem Florestal (DOF)”, disse o dirigente.

O fato de possuir o DOF não significa que a extração foi realizada dentro de um modelo aderente às premissas da sustentabilidade. A madeira pode ser legitimamente explorada e não ser sustentável. Por exemplo, quando é legalmente permitido desmatar 20% de uma propriedade, isso não é sustentável, mas é legal.

“Portanto, as empresas do setor imobiliário – grande consumidor desse insumo – precisam ter certeza de que a madeira utilizada em seus empreendimentos é verdadeiramente legal, não se contentando apenas com a existência do DOF. Assim, sempre que possível, é melhor comprar madeira com certificação florestal, como a do FSC, a qual comprova que a produção atendeu às premissas da sustentabilidade, pois seguiu a norma da certificadora e teve todo processo auditado por terceiros”, concluiu Leite.

Manejo florestal certificado

Para muitos, era a primeira vez na Amazônia. A grandiosidade e a abundância da floresta impactam. Em uma região em que o difícil acesso e a responsabilidade de preservação impedem muitas atividades econômicas, o manejo florestal certificado se torna a melhor alternativa de atividade econômica e fonte de renda para a população local.

Para se ter uma noção dos benefícios ambientais, a Precious Woods possui em Itacoatiara 500 mil hectares, dos quais 209 mil hectares são áreas manejáveis. A área não manejável é preservada eternamente e pode se constituir de áreas de alto valor de conservação, matas ciliares etc.

No manejo florestal certificado, a empresa trabalha cada ano numa porção previamente definida da floresta, denominada UPA (Unidades de Produção Anual). Para tanto, a PW realiza previamente medição, identificação e localização de todas as árvores com mais de 40 centímetros de diâmetro. Além disso, informações referentes ao relevo, presença de espécies protegidas, cursos d’água, entre outros dados, são base para o complexo processo de definição de quais árvores serão colhidas numa determinada UPA.

Concentração de indivíduos da mesma espécie num determinado local, tamanho das árvores, entre tantos outros quesitos, são fatores que determinam o que pode e o que não pode ser cortado. Finalmente, esta mesma UPA só voltará a ser explorada dali a 30 anos, garantindo, dessa forma, a regeneração de uma floresta com as mesmas características da que foi encontrada.

Para garantir a efetividade dos processos, atualmente a PW dispõe de um dos bancos de dados de florestas tropicais mais consistentes do mundo, compartilhado por instituições como o INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e universidades que, junto com a empresa, acompanham o processo de regeneração da floresta e demonstram que o manejo florestal certificado é eficaz.

Respeito aos trabalhadores e às comunidades

Além dos benefícios ambientais, a PW, assim como todas as organizações certificadas pelo FSC, cuida também das questões sociais e trabalhistas. Todos os funcionários são registrados, utilizam equipamentos de proteção individual, recebem treinamento profissional, ficam instalados em bons alojamentos e recebem boa alimentação. Entre os funcionários, fica evidente a realização que eles têm em trabalhar em uma empresa que os respeita e que respeita o meio ambiente.

Há, ainda, um bom relacionamento com as comunidades locais. No caso específico da PW, é emblemático o caso do único processo de regularização fundiária feito até hoje na Amazônia, onde pequenos proprietários tiveram todo o processo de titulação das terras encaminhado pela empresa.

Os resíduos da serraria são transformados em energia elétrica pela BK Energia, empresa parceira da PW. A energia gerada supre a demanda da própria serraria e de 50% da demanda do município de Itacoatiara, que possui cerca de 100 mil habitantes, substituindo o diesel, fonte de energia usada anteriormente, já que a cidade se encontra isolada da rede elétrica nacional.

Por meio de seu sistema de certificação, o selo FSC reconhece a produção responsável de produtos florestais, permitindo que os consumidores e as empresas tomem decisões conscientes de compra, beneficiando as pessoas e o ambiente. Consumir produtos certificados pelo FSC estimula os que trabalham com madeira do jeito certo, garantindo que as futuras gerações continuem tendo os benefícios das florestas.

Além de Hamilton Leite, participaram da missão Paulo Lisboa, arquiteto, integrante do Conselho Deliberativo da AsBEA (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura) e do Conselho Deliberativo do CBCS(Conselho Brasileiro de Construção Sustentável); Rodrigo Fonseca, da Borges Fonseca Engenharia e coordenador-adjunto do grupo de Novos Empreendedores do Secovi-SP; Andrea Mifano, da Cym Empreendimentos Imobiliários e integrante do grupo de Novos Empreendedores do Secovi-SP; Haroldo Leite, do Banco Morgan Stanley; Paulo Bittencourt, do Conselho Diretor do FSC Brasil; Fernanda Vaz, analista de desenvolvimento de negócios do FSC Brasil; e Jeanicolau Lacerda (PW). Todos foram recebidos pelo diretor geral da PW no Brasil, João Cruz.

Confira as experiências e impressões de alguns dos integrantes da missão.

“Ficou comprovado que o manejo sustentável da floresta para a produção de madeira ajuda ativamente na preservação da Amazônia. Entretanto, os altos custos de logística para que esse produto chegue do Norte ao Sudeste e a concorrência de madeiras de procedência duvidosa fazem com que a sua competitividade seja seriamente prejudicada. Uma missão dessas serve para entender o que está envolvido nessa equação, quais são os gargalos (como o elevado valor cobrado no deslocamento pelos portos) e como podemos ajudar, sendo uma contribuição direta que o setor imobiliário dá para a preservação da Floresta Amazônica.”Andrea Mifano.

“Visitar o local onde é feita a extração de madeira da Amazônia, pela empresa Precious Woods, de maneira sustentável e certificada FSC, foi uma experiência marcante! Conhecemos todos os processos na empresa, desde o mapeamento da área a ser manejada, passando pela extração, até a expedição da madeira manufaturada. Certamente, é um exemplo a ser seguido e nós, consumidores, temos de aprender a valorizar esse magnífico trabalho.”Rodrigo Fonseca.

“Difícil descrever a complexidade da experiência ao presenciarmos um gigante amazônico cair por terra. No começo, ficamos admirados pelo planejamento e qualidade do trabalho profissional executado pela equipe responsável na extração do indivíduo: identificação e escolha da espécie, avaliação do tipo de incisão, preservação dos outros pares, definição precisa do local da queda, segurança dos envolvidos, etc. Em seguida, surpreendidos com o desenrolar da cena: o início do corte, o desligar da serra, a leve inclinação, o apito, o estalo, a velocidade da queda, galhos riscando a floresta, o barulho surdo do baque. Com a visão do gigante caído, vem o sentimento de ausência. A altivez e exuberância de segundos atrás, agora jaz no chão. Resta o toco com sua plaqueta de identificação, registro este que o indivíduo carregará mesmo depois de manufaturado, garantindo assim sua rastreabilidade. Junto ao toco, surge a luz e forma-se o vazio, espaço vital para que outros indivíduos possam crescer com o passar do tempo. Inicia-se novo ciclo: a ausência transforma-se em sucessão e permanência. Temos assim, com a extração certificada, a continuidade da floresta para as gerações futuras!”  – Paulo Lisboa.

Fonte: Secovi-SP

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